Ex-ministro dos Direitos Humanos é alvo de novas denúncias, e casos agora são investigados pelo Ministério Público e Polícia Federal
Após a demissão do ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, na sexta-feira, 6 de setembro, o número de denúncias de assédio sexual envolvendo seu nome aumentou significativamente. A ONG Me Too Brasil, que já havia recebido quatro denúncias no dia anterior, quinta-feira, 5, informou que novos relatos surgiram após a repercussão do caso na mídia. As acusações contra Almeida ganharam destaque na imprensa, o que intensificou a busca das vítimas por apoio e justiça.
O escândalo começou a ganhar visibilidade quando o portal Metrópoles revelou as primeiras acusações de assédio sexual envolvendo o ex-ministro. Entre as vítimas, estaria a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, embora ela ainda não tenha se pronunciado sobre o caso. Almeida, por sua vez, nega todas as acusações.
A organização Me Too Brasil, que se dedica ao combate ao assédio sexual e ao apoio a vítimas, afirmou que as mulheres que denunciaram Silvio Almeida enfrentaram grandes dificuldades em obter respaldo institucional para suas denúncias. “Diante disso, as vítimas autorizaram a confirmação das acusações para a imprensa”, afirmou a entidade em nota oficial.
Demissão e Investigação
Em resposta à crescente pressão e às graves denúncias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu pela demissão de Silvio Almeida, que foi oficializada na sexta-feira, 6 de setembro. As investigações sobre as denúncias estão a cargo do Ministério Público e da Polícia Federal, que conduzirão apurações mais aprofundadas para verificar a veracidade dos relatos apresentados.
Carreira de Silvio Almeida
Silvio Almeida é um advogado e acadêmico reconhecido por sua atuação em defesa dos direitos das minorias. Formado em Direito e Filosofia, ele possui mestrado e doutorado em Direito Político e Econômico, além de Filosofia e Teoria Geral do Direito. Sua obra mais famosa, “Racismo Estrutural”, publicada em 2019, recebeu ampla aceitação no meio acadêmico e entre ativistas, mas também foi alvo de críticas por supostamente incitar conflitos raciais.
Antes de assumir o cargo de ministro dos Direitos Humanos, Almeida se destacou como comentarista e criador de conteúdo no YouTube, onde discutia temas como racismo, neoliberalismo, cultura pop e política. Em suas produções, ele entrevistou diversas figuras públicas ligadas à esquerda, como Lázaro Ramos, Emicida, Leonardo Boff, Ailton Krenak e Mano Brown.
Com o desenrolar das investigações, o futuro de Silvio Almeida na vida pública permanece incerto. A situação coloca em xeque a credibilidade do ex-ministro, que sempre defendeu os direitos das minorias, mas agora se vê acusado de praticar atos que vão contra os valores que pregava.








