O mais recente editorial do jornal O Estado de S. Paulo aborda a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, destacando o que considera uma “bagunça institucional” no Brasil. A crítica central é dirigida à recente decisão monocrática de Dino, que, no último domingo (15), autorizou a abertura de crédito extraordinário para mitigar os efeitos das queimadas e secas na Amazônia e Pantanal, além de cobrar um plano do governo para combate a incêndios florestais.
Segundo o editorial, Dino estaria facilitando “a criação de dinheiro mágico”, permitindo o uso de recursos fora do planejamento oficial, o que evitaria que o presidente Lula incorresse em crime de responsabilidade. O texto sugere que a medida abre uma nova exceção às regras do arcabouço fiscal e faz críticas à postura de Flávio Dino, alegando que ele estaria extrapolando suas funções ao determinar ações e indicar fontes de financiamento para o governo federal.
Manobras e críticas ao papel de Flávio Dino
A atuação de Flávio Dino é vista como um reflexo de sua trajetória política, com o Estadão argumentando que o ministro nunca deixou de agir politicamente, mesmo após assumir o cargo no STF, para o qual foi indicado por Lula. O jornal destaca que Dino estaria “justificando o injustificável” ao comparar as queimadas na Amazônia às enchentes no Rio Grande do Sul, criticando a suposta inação do governo em relação ao controle das queimadas, apesar dos vários alertas recebidos ao longo do ano.
O editorial conclui que a atual “bagunça institucional” só será resolvida quando “a vaidade, as opiniões pessoais e as agendas políticas” forem deixadas de lado, sugerindo que o cenário atual não aponta para uma rápida resolução dessa crise.
Contexto da decisão e reações
A decisão de Dino, em meio a um cenário de queimadas que cobrem grande parte do Brasil com fumaça, foi vista como uma tentativa de trazer urgência às ações do governo para combater as emergências ambientais. No entanto, a forma como o ministro lidou com a situação e sua intervenção no uso de recursos federais foram duramente criticadas pela publicação.
O editorial reflete a crescente tensão entre diferentes poderes no Brasil, com o STF, governo federal e outras instituições frequentemente se enfrentando em questões políticas e econômicas. Ao mesmo tempo, há um questionamento sobre o impacto dessas decisões na já frágil situação fiscal do país, uma vez que a abertura de créditos extraordinários pode representar uma flexibilização perigosa das regras fiscais.








