Brasil inicia o mês com mais de 154 mil focos de calor registrados em 2024; Amazônia e Pantanal são os biomas mais atingidos
O Brasil começou setembro enfrentando uma grave crise ambiental, com mais de 154 mil focos de calor registrados em 2024, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A Amazônia, o maior bioma do país, concentra 42,7% dos focos de incêndio captados neste domingo (1º) e segunda-feira (2), evidenciando a crescente ameaça das queimadas na região. Embora o município mais afetado seja Corumbá, no Pantanal, com 4.245 focos, a situação na Amazônia também é alarmante, com Apuí, no Amazonas, registrando 3.401 focos até o final de agosto.
A expansão das queimadas no Brasil está devastando vastas áreas de dois dos mais importantes biomas do país. De acordo com o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ), mais de 5,5 milhões de hectares da Amazônia já foram consumidos pelo fogo em 2024, enquanto o Pantanal perdeu 2,5 milhões de hectares. Esse cenário coloca em evidência a urgência de medidas eficazes para conter a destruição ambiental.
Em resposta à escalada dos incêndios, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) informou que mais de 1.800 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estão atuando no combate às chamas na Amazônia e no Pantanal. O esforço conta ainda com o apoio das Forças Armadas, Força Nacional de Segurança Pública e Polícia Federal, que somam mais de 400 profissionais, além do uso de 18 aeronaves e 52 embarcações.
A crise das queimadas atraiu a atenção do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou ao governo federal um prazo de 15 dias para reforçar os esforços de combate ao fogo nos dois biomas. No próximo dia 10 de setembro, o STF realizará uma audiência de conciliação para avaliar o cumprimento dessa medida, no contexto de três ações de descumprimento de preceito fundamental (ADPFs) relacionadas ao tema. Com o avanço das queimadas, a pressão sobre as autoridades para agir de forma mais contundente cresce a cada dia.







