Governo israelense toma medidas firmes contra o secretário-geral da ONU e o presidente do Brasil após declarações consideradas inaceitáveis sobre o conflito no Oriente Médio.
O governo de Israel, por meio do ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, declarou nesta quarta-feira, 2 de outubro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, como “persona non grata”. A medida, que proíbe a entrada de Guterres no território israelense, foi tomada após o chanceler considerar que o líder da ONU falhou em condenar de forma clara e inequívoca o ataque do Irã contra Israel, um gesto que a maioria dos países já adotou.
Katz não poupou críticas a Guterres, afirmando que o secretário-geral, até o momento, não mencionou o massacre de civis israelenses e os crimes sexuais cometidos pelo grupo terrorista Hamas no dia 7 de outubro. Segundo ele, o fato de Guterres não ter tomado ações para classificar o Hamas como organização terrorista reflete um retrocesso na luta contra o terrorismo. “Ele será lembrado como uma mancha na história da ONU”, declarou Katz.
O ministro israelense ainda ressaltou que, independentemente da postura de Guterres, Israel continuará a proteger seus cidadãos e a defender sua soberania nacional. A principal crítica de Israel ao secretário-geral da ONU é que, em uma declaração recente, ele condenou a escalada do conflito na região sem mencionar o direito de Israel de se defender contra os ataques promovidos pelo Hezbollah e pelo governo iraniano.
Guterres, em sua fala, expressou a necessidade urgente de um cessar-fogo, mas evitou responsabilizar diretamente o Irã, que lançou 181 mísseis balísticos contra civis israelenses. Isso gerou ainda mais indignação por parte do governo israelense, que apontou a “incapacidade” de Guterres em reconhecer a responsabilidade iraniana nos ataques.
Lula Também Já Foi Declarado “Persona Non Grata” em Israel
A relação de tensões diplomáticas de Israel com o Brasil também não é recente. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi declarado “persona non grata” em Israel em fevereiro de 2024. Essa decisão foi tomada após Lula comparar as operações militares de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto, o que gerou uma forte reação por parte do governo israelense, que classificou as declarações como antissemitas.
Na ocasião, o ministro Katz afirmou que as declarações de Lula foram um ataque grave e inaceitável, e que o presidente brasileiro não seria mais bem-vindo em Israel enquanto não se retratasse. Em entrevista na Etiópia, Lula havia comparado as ações de Israel contra o povo palestino ao genocídio perpetrado por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, o que foi considerado profundamente ofensivo.
Com essas declarações, tanto Lula quanto Guterres se encontram em uma posição delicada nas relações com Israel, que tem se mostrado cada vez mais inflexível em relação àqueles que não apoiam plenamente seu direito de defesa e não condenam de maneira explícita os ataques de grupos como o Hamas e o Hezbollah, financiados pelo Irã.
Fonte: O antagonista








