Especialistas destacam a necessidade de uma revisão urgente na política fiscal do governo para evitar uma escalada perigosa da dívida
Economistas da Warren Investimentos projetam que a dívida bruta do governo brasileiro poderá chegar a 95% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2033, um aumento significativo em relação ao patamar atual de 74,4% em 2023. Segundo os analistas Felipe Salto e Josué Pellegrini, a administração Lula precisará revisar suas metas fiscais para evitar um agravamento da situação econômica do país. Eles alertam que o governo está adotando uma abordagem fiscal considerada básica, ou “feijão com arroz”, para impedir que uma crise financeira ainda maior ocorra, mas isso não será suficiente no longo prazo.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, os economistas apontaram que a estratégia atual adia a resolução de problemas estruturais das finanças públicas. O governo opta por ajustes fiscais menos severos agora, o que pode tornar as soluções futuras mais difíceis, independentemente de quem vencer as eleições de 2026. Um relatório obtido pelo jornal mostra que, caso não sejam tomadas medidas mais robustas, a dívida pública continuará sua trajetória de crescimento, sem sinais de estabilização até 2033.
As recentes revisões das taxas de juros, em parte impulsionadas pela situação fiscal do país, pioram esse cenário. Para Salto e Pellegrini, o governo conseguirá cumprir a meta fiscal deste ano, mas a melhoria será apenas temporária, apoiada em receitas atípicas que dificilmente se repetirão nos anos seguintes. Isso levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da política fiscal adotada.
O Desafio da Sustentabilidade Fiscal
A necessidade de medidas mais ousadas para equilibrar a relação dívida/PIB é uma questão central levantada pelos economistas. Segundo Pellegrini, o superávit primário precisaria ser maior que 1% do PIB para estabilizar a dívida. Ele destacou que, mesmo que o governo cumpra suas metas fiscais nos próximos anos, a dívida pública continuará subindo, com déficits elevados previstos para 2024 e 2025.
Em 2024, por exemplo, o déficit real deverá ser de R$ 57,6 bilhões, enquanto em 2025 o valor poderá atingir R$ 75,1 bilhões, mesmo que as metas estabelecidas sejam alcançadas. O problema, segundo os analistas, está no fato de que esses déficits, embora “dentro da meta”, não são suficientes para frear o crescimento da dívida pública.
A revisão da meta de déficit primário já é esperada para 2025. De acordo com Salto, o governo não conseguirá repetir as mesmas medidas extraordinárias utilizadas em 2023 para cumprir as metas, e será necessário ajustar as expectativas. Ele projeta que será preciso bloquear ou contingenciar R$ 19,8 bilhões, mas mesmo assim não será suficiente para cumprir a meta sem ajustes adicionais.
Impacto das Alterações Fiscais
A continuidade de ajustes nas metas fiscais não é vista como positiva pelos economistas, uma vez que gera incerteza para os agentes econômicos e investidores. Pellegrini alerta que, se o governo não for capaz de manter suas metas, isso poderá afetar negativamente a confiança no país. Ele projeta um déficit real de R$ 111,6 bilhões para 2025, caso o governo adote cortes moderados, mantendo algumas despesas fora da meta oficial, o que impactaria diretamente na dívida pública.
A possibilidade de ajustes graduais, como os realizados em 2023, pode evitar um colapso imediato, mas a ausência de reformas estruturais mais ambiciosas no controle de gastos pode comprometer seriamente a estabilidade econômica a longo prazo.
A gestão fiscal, segundo os especialistas, precisa ser repensada de forma mais profunda e abrangente para que o Brasil não entre em um ciclo perigoso de endividamento crescente, que poderia comprometer ainda mais a confiança dos mercados e afetar o crescimento econômico do país.








