Governo brasileiro manifesta preocupação com operações israelenses, mas evita comentar sobre mísseis lançados pelo Irã contra Israel.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) divulgou, na terça-feira, 1º de outubro, uma nota condenando as operações terrestres do Exército de Israel no sul do Líbano contra o Hezbollah. O comunicado expressa “grave preocupação” com as ações israelenses e pede que o governo de Israel interrompa imediatamente tanto as incursões terrestres quanto os ataques aéreos a regiões civis.
No entanto, o texto divulgado pelo Itamaraty não faz menção ao ataque do Irã a Israel, em que cerca de 180 mísseis foram disparados contra o território israelense. Essa omissão chamou a atenção, uma vez que o Irã é um dos principais aliados do Hezbollah, e o ataque representa uma escalada significativa na tensão entre os dois países.
Abaixo, a íntegra da nota oficial do Itamaraty:
“O governo brasileiro acompanha, com grave preocupação, a realização de operações militares terrestres do exército de Israel no Sul do Líbano, em violação ao direito internacional, à Carta da ONU e a resoluções do Conselho de Segurança. Também deplora a continuidade dos ataques aéreos israelenses a várias regiões do país, que provocaram, desde o passado dia 17, a morte de mais de 1.000 pessoas, incluindo dois adolescentes brasileiros e seus pais, assim como um saldo de milhares de feridos.
Ao reafirmar a defesa do pleno respeito à soberania e à integridade territorial do Líbano, o Brasil insta Israel a interromper imediatamente as incursões terrestres e os ataques aéreos a zonas civis densamente povoadas naquele país.
O governo brasileiro renova, ainda, apelo a todas as partes envolvidas para que exerçam máxima contenção e para que alcancem, com a máxima urgência, um cessar-fogo permanente e abrangente.
Recorda a necessidade de cumprimento da Resolução 1701 (2006) do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em particular, o chamado à completa cessação de hostilidades entre Israel e o Hezbollah e ao respeito à Linha Azul, bem como conclama a comunidade internacional para que se valha de todos os instrumentos diplomáticos à disposição a fim de conter o agravamento do conflito.
A Embaixada em Beirute continua a monitorar a situação dos nacionais no Líbano, em contato permanente com os brasileiros no país, aos quais continua a prestar assistência consular emergencial. O Itamaraty e o Ministério da Defesa organizam conjuntamente a realização de voo de repatriação para a retirada de brasileiros.
O governo brasileiro reitera o alerta para que todos deixem as áreas conflagradas, sigam as orientações de segurança das autoridades locais e, para os que disponham de recursos para tanto, procurem deixar o território libanês por meios próprios. O aeroporto de Beirute continua em operação para voos comerciais.”
Silêncio sobre o Irã
O silêncio do governo brasileiro em relação ao ataque do Irã a Israel tem gerado críticas, uma vez que o país liderado por Lula mantém uma posição ambígua no conflito. Embora a nota condene veementemente as ações de Israel, a ausência de uma menção ao lançamento de mísseis pelo Irã sugere uma postura mais cautelosa quando se trata de criticar o aliado do governo brasileiro.
O ataque iraniano, ocorrido no mesmo dia do comunicado do Itamaraty, envolveu o lançamento de 180 mísseis balísticos contra civis israelenses, um ato que provocou uma resposta internacional dura, mas não foi abordado na nota oficial do Brasil. A falta de menção ao Irã também reforça a posição de neutralidade que o Brasil tenta manter, ao mesmo tempo que insiste em pedir o fim das hostilidades e o respeito ao direito internacional.
Fonte: O antagonista








