Mudanças na composição da Dívida Pública Federal visam aproveitar demanda por títulos LFT
O Tesouro Nacional anunciou nesta quarta-feira (4) uma revisão significativa nos limites de referência estabelecidos no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2024. A alteração reflete um aumento na participação de títulos com taxas de juros flutuantes, conhecidos como Letras Financeiras do Tesouro (LFT), e uma redução na proporção de títulos com taxas prefixadas, como Letras do Tesouro Nacional (LTN) e NTN-F, bem como aqueles indexados a índices de preços. A mudança foi motivada pela crescente demanda por títulos LFT, que são indexados pela taxa Selic, e um cenário de elevada taxa de juros no país.
O Tesouro Nacional justifica a mudança apontando que a alta da Selic tem incentivado investidores a buscar LFT, atraídos pela segurança e potencial de rendimento em um cenário de incertezas na política monetária internacional, especialmente nos Estados Unidos. Essas incertezas têm gerado pressão sobre mercados emergentes, como o Brasil, afetando a taxa de câmbio e aumentando a aversão ao risco. O Tesouro observa que essas condições impactaram significativamente a curva de juros e a demanda por títulos com menor risco, levando à decisão de ajustar a composição da dívida pública.
Em nota oficial, o Tesouro explicou que a demanda robusta por LFTs permitiu a ampliação da emissão desses títulos em relação ao que estava originalmente previsto no PAF. A estratégia de priorizar LFTs reflete uma tentativa de aproveitar o interesse do mercado e de otimizar o prazo médio da dívida pública. Em contrapartida, a colocação de NTN-B, que são títulos com prazos mais longos, foi reduzida devido ao menor espaço disponível para essas emissões.
A revisão no Plano Anual de Financiamento destaca a adaptação do Tesouro Nacional às condições econômicas e ao comportamento dos investidores. Ao aumentar a emissão de títulos LFT, o Tesouro busca alinhar a estrutura da dívida pública às preferências do mercado e às condições econômicas globais, garantindo maior flexibilidade e segurança para o gerenciamento da dívida federal.







